Volume 6 · 1865 · Traduzido do francês
Lições escolhidas: o método clínico, o sinal e a síndrome de Trousseau
Armand Trousseau (1801–1867)
As lições do professor do Hôtel-Dieu que deu nome ao sinal da tetania e à trombose dos cancerosos — o método clínico, os epônimos e o doente à beira do leito, traduzidos do francês de 1865, com comentário a cada lição.
Comprima o braço de uma mulher com tetania e a mão dela se fecha em espasmo: é o sinal de Trousseau. Um doente magro, sem diagnóstico, aparece com a perna inchada por uma veia trombosada sem motivo: procure o câncer, é a síndrome de Trousseau. Foi ele quem propôs chamar a cachexia bronzeada de doença de Addison, quem batizou o bócio exoftálmico de doença de Graves e quem, contra Broca, inventou a palavra afasia. Fez tudo isso falando, à beira do leito do Hôtel-Dieu de Paris, diante de alunos que vinham da Europa inteira ouvi-lo. Dois anos depois de ensinar que a trombose venosa dos caquéticos anuncia o câncer, reconheceu o sinal no próprio braço e soube do que ia morrer.
As lições de Armand Trousseau foram tomadas por um estenógrafo da Câmara dos Deputados, revistas por ele e publicadas em 1861; a segunda edição, de 1865, a última que reviu, cresceu para três tomos e se tornou o livro de clínica médica mais lido do século XIX, traduzido para o inglês, o espanhol, o alemão e o italiano. Nunca, até agora, para o português.
Esta edição escolhe doze peças entre as noventa e nove lições de 1865 e as traduz por inteiro, diretamente do francês, cotejado em dois exemplares: a dedicatória e as advertências do autor; a introdução sobre o ensino clínico, o texto mais citado de Trousseau sobre o que é ser médico; a especificidade, a doutrina de Bretonneau que antecipou a etiologia moderna; a tetania, com a manobra que virou o sinal de Trousseau; a phlegmatia alba dolens dos cancerosos, que é a síndrome de Trousseau; a doença de Addison; o bócio exoftálmico; a afasia; a angina de peito; a sangria na apoplexia, que ele nega em 1861 contra toda a Europa; a traqueotomia na difteria, com os resultados contados um a um; e a lição de despedida sobre a percussão, em que o velho clínico defende a arte contra o microscópio e a estatística.
Cada lição vem acompanhada de um comentário assinado por um cirurgião vascular, que diz com franqueza o que Trousseau acertou, o que a medicina corrigiu e o que permanece. A edição traz ainda apresentação, notas que identificam pessoas, remédios, doses, enfermarias e termos de época, posfácio sobre a morte do autor, cronologia, glossário, seleção de passagens com o francês ao lado e os fac-símiles da folha de rosto e da dedicatória a Bretonneau. Volume 6 da Coleção Anamnese: Clássicos da Medicina Comentados.
Seleção, tradução do francês, introdução, notas e comentários de Alexandre Campos Moraes Amato.
Passagens reproduzidas literalmente da edição brasileira
O pior sábio é o que nunca é artista; o pior artista, o que nunca é sábio.
A frase de capa da edição
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