Volume 1 · 1761 · Traduzido do latim
A percussão do tórax humano como sinal para descobrir as doenças ocultas do peito
Leopold Auenbrugger (1722–1809)
O livro de 95 páginas em que nasceu a percussão torácica — traduzido do latim, com comentário clínico a cada uma das catorze Observações.
Em 31 de dezembro de 1760, um médico austríaco de trinta e oito anos assinou o prefácio de um livro de noventa e cinco páginas e o entregou ao tipógrafo. O livro não tinha uma única ilustração, não trazia casos clínicos narrados e não fazia nenhum esforço para seduzir o leitor. Era um texto seco, organizado em quarenta e oito parágrafos numerados. Nele estava a descoberta de que bater no peito de um doente e escutar o som revela o que se esconde lá dentro.
A percussão torácica nasceu ali, e este é o livro em que ela nasceu.
Leopold Auenbrugger fez três coisas que ninguém havia feito. Definiu o som do tórax sadio antes de definir o do doente. Padronizou o exame em instruções tão exatas que ainda são as que se ensinam hoje: percuta devagar, interponha um tecido, peça ao paciente que prenda o ar, compare os dois lados com a mesma força. E conferiu cada achado contra a autópsia, fundando aquilo que a escola de Paris chamaria, meio século depois, de método anatomoclínico.
O livro foi resenhado em Londres poucos meses depois de sair, elogiado por Haller e traduzido para o francês em 1770. Mesmo assim, não foi adotado. Foi preciso esperar até 1808, quando Corvisart, médico de Napoleão, o traduziu e comentou, para que a Europa aprendesse a percutir.
Esta é a primeira edição brasileira da obra, volume 1 da Coleção Anamnese: Clássicos da Medicina Comentados. A tradução foi feita diretamente do latim da primeira edição de 1761, sem intermediários. Cada uma das quatorze Observações vem acompanhada de um comentário clínico assinado, que indica com franqueza o que Auenbrugger acertou, o que a fisiopatologia moderna corrigiu e o que está francamente errado. A edição inclui ainda o fac-símile da folha de rosto original, cinco diagramas didáticos inéditos, notas do tradutor, glossário dos termos setecentistas, cronologia, posfácio sobre a fortuna crítica da obra e uma seleção de quarenta passagens com o latim original ao lado.
Um clássico fundador da semiologia, finalmente legível em português, e lido com o ceticismo que ele próprio recomendava.
Tradução do latim, introdução e comentários de Alexandre Campos Moraes Amato.
Passagens reproduzidas literalmente da edição brasileira
O tórax do homem são soa, se percutido.
Thorax sani hominis sonat, si percutitur.
Invento Novo, § I — a primeira frase do livro
Escolhi o estilo de modo a poder ser entendido.
Elegi stylum, ut intelligi possim.
Prefácio
Os sócios da inveja, do rancor, do ódio, da detração e das próprias calúnias nunca faltaram àqueles homens que, com seus inventos, ou ilustraram ou aperfeiçoaram as ciências e as artes.
Invidiae, livoris, odii, obtrectationis, et ipsarum calumniarum socii, nunquam defuerunt viris illis, qui scientias et artes suis inventis aut illustrarunt, aut perfecerunt.
Prefácio
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